Duas e quarenta da manhã. Chegam dois pacientes quase juntos.
O primeiro é um senhor de 68 anos, dispneico, sentado na maca, estertores até o ápice, PA 230×130. O segundo é uma mulher de 59 anos, dor torácica em aperto há quarenta minutos, PA 210×120, eletro com infra de ST em parede inferolateral.
Os dois são emergência hipertensiva. Os dois precisam de vasodilatador endovenoso agora. E na maioria dos plantões que eu já vi, os dois vão receber a mesma coisa: nitroprussiato.
Só que a segunda paciente não deveria receber.
Essa é a confusão que este texto resolve. Nitroglicerina e nitroprussiato de sódio terminam na mesma via bioquímica, mas fazem coisas hemodinamicamente diferentes, e essa diferença muda desfecho em pelo menos três cenários que você vê toda semana.
As duas terminam no mesmo lugar, e é aí que mora o engano
Tanto a nitroglicerina quanto o nitroprussiato são doadores de óxido nítrico. O NO ativa a guanilato ciclase solúvel, que aumenta o GMP cíclico dentro da célula muscular lisa vascular. O GMPc reduz a disponibilidade de cálcio intracelular e hiperpolariza a membrana. Resultado: o vaso relaxa.
Mecanismo final idêntico. Por isso as duas drogas são agrupadas na mesma classe em qualquer livro de farmacologia.
O detalhe é que essa classificação é quase uma mentira de conveniência. Quimicamente elas não têm nada a ver uma com a outra.
A nitroglicerina é um nitrato orgânico, o trinitrato de glicerila, a mesma molécula que o Sobrero fez explodir em Turim em 1847. O nitroprussiato não é nitrato nem nitrito: é um complexo de ferro com seis grupos cianeto, e o cianeto representa cerca de 44% da massa da molécula. Ele só entrou nessa classe porque doa NO no fim das contas.
E é justamente porque a química é diferente que o comportamento clínico é diferente.
A diferença que importa: onde cada uma dilata
Guarde esta frase e você resolve 80% das decisões no plantão:
Nitroglicerina dilata veia. Nitroprussiato dilata veia e artéria.
A nitroglicerina tem venodilatação preferencial. Ela derruba a pré-carga, descongestiona o pulmão e, num bônus que importa muito, tem afinidade seletiva por dois territórios arteriais específicos: as artérias coronárias epicárdicas e as artérias mamárias internas (torácicas internas). Efeito significativo em pós-carga só aparece em doses altas.
Essa seletividade não é detalhe acadêmico. Ela é o motivo de a nitroglicerina ser a droga da isquemia miocárdica e o motivo de ela ser a escolha no pós-operatório de revascularização com enxerto de mamária.
O nitroprussiato faz vasodilatação balanceada, arterial e venosa. Ele derruba pré-carga e pós-carga com a mesma potência. Por isso é um anti-hipertensivo muito mais eficaz, e por isso também derruba pressão de forma muito mais abrupta se você desatender a bomba.
Traduzindo para a beira do leito:
- Se o problema é congestão, a nitroglicerina resolve.
- Se o problema é pressão alta que precisa cair rápido e de forma titulável, o nitroprussiato resolve.
- Se o problema é isquemia miocárdica, a nitroglicerina resolve e o nitroprussiato pode piorar.
Esse último ponto merece parágrafo próprio.
Por que nitroprussiato é ruim na isquemia miocárdica
O nitroprussiato dilata arteríolas coronárias de forma indiscriminada, inclusive as de território saudável. Quando você dilata o leito sadio, o fluxo é redirecionado para lá e o território que já está isquêmico, irrigado por uma artéria com placa e sem capacidade de vasodilatar mais, recebe menos sangue ainda.
É o fenômeno de roubo de fluxo coronariano.
A nitroglicerina faz o oposto: dilata preferencialmente as artérias epicárdicas de condutância e a circulação colateral, favorecendo o território isquêmico.
O contraste entre as duas drogas foi medido diretamente em artéria mamária interna. Em estudo publicado no JACC, a nitroglicerina aumentou o fluxo pela mamária interna em cerca de 36%, enquanto o nitroprussiato reduziu esse fluxo em cerca de 12%. Duas drogas da mesma classe farmacológica fazendo coisas opostas no mesmo vaso.
Isso tem consequência prática direta no pós-operatório de cirurgia de revascularização miocárdica. A mamária interna esquerda é o enxerto de melhor patência a longo prazo, e é também um conduto vivo, com potencial de espasmo. Quando o paciente sai da sala hipertenso e precisa de vasodilatador, a nitroglicerina protege o enxerto; o nitroprussiato pode roubar fluxo dele.
Por isso, no paciente com síndrome coronariana aguda e hipertensão, a droga é nitroglicerina. O nitroprussiato é a exceção da regra “nitroprussiato é primeira escolha na maioria das emergências hipertensivas”, e é exatamente essa exceção que mais aparece no pronto-socorro.
Nitroprussiato de sódio na prática
Apresentação, diluição e dose
Ampola ou frasco de 50 mg em 2 mL.
Diluição usual:
- 1 ampola (50 mg) + 248 mL de SG 5% = 250 mL a 200 mcg/mL
- 2 ampolas (100 mg) + 246 mL de SG 5% = 250 mL a 400 mcg/mL
Regras que não se negociam:
- Diluir em glicose 5%
- Via exclusivamente venosa, em bomba de infusão ou microgotas
- Proteger da luz. O nitroprussiato se degrada com luz visível liberando cianeto, e por isso a bolsa anda sempre embrulhada em plástico escuro. Não é frescura da enfermagem.
Dose: 0,5 a 2 mcg/kg/min. Na prática, quase todo mundo prescreve dose resposta, titulando pela pressão alvo.
Para calibrar a cabeça, num paciente de 70 kg com a solução a 200 mcg/mL:
- 0,5 mcg/kg/min equivale a cerca de 10,5 mL/h
- 2 mcg/kg/min equivale a cerca de 42 mL/h
Doses acima de 2 mcg/kg/min existem e são usadas, mas é a partir dali que o relógio do cianeto começa a correr mais rápido.
Início de ação em segundos a poucos minutos, meia-vida de eliminação em torno de 2 minutos. É a droga mais titulável que você tem: desligou a bomba, o efeito some. Essa reversibilidade quase imediata é a maior virtude dela e o motivo de continuar sendo tão usada apesar de tudo que vem a seguir.
O problema do cianeto
O nitroprussiato não é metabolizado no sentido clássico. Ele se decompõe.
Ao encontrar grupos sulfidrila, presentes em praticamente qualquer superfície celular, a molécula se quebra e libera nitrosil ferroso, que faz o trabalho vasodilatador, mais cinco moléculas de cianeto. Dentro da hemácia, ele reage com a hemoglobina formando cianometemoglobina e liberando quatro moléculas de cianeto, que difundem de volta para o plasma.
O organismo neutraliza esse cianeto convertendo-o em tiocianato, usando o tiossulfato como doador de enxofre. O tiocianato é excretado pelo rim.
Aqui está o gargalo: o estoque de tiossulfato é finito. Na maioria das pessoas ele dá conta de sustentar uma infusão de até cerca de 2 mcg/kg/min. Acima disso, ou em infusões prolongadas, o sistema de destoxificação satura e o cianeto começa a se acumular, bloqueando a cadeia respiratória mitocondrial.
Uma recomendação prática que vale carregar: evitar manter doses elevadas por mais de 36 horas. Se o paciente ainda precisa de vasodilatador potente depois disso, é hora de trocar de estratégia ou de droga.
Redobre a atenção em dois grupos:
- Insuficiência renal, porque o tiocianato não é eliminado adequadamente e se acumula
- Hepatopatia, porque a conversão de cianeto em tiocianato fica prejudicada
Sinais de alerta: acidose metabólica com ânion gap elevado sem explicação, lactato subindo, saturação venosa central alta apesar de choque, alteração de consciência, convulsão.
Nitroglicerina na prática
Apresentação, diluição e dose
Frasco-ampola de 25 mg em 5 mL ou 50 mg em 10 mL (5 mg/mL).
Diluição usual:
- 50 mg (10 mL) + 240 mL de SG 5% ou SF 0,9% = 250 mL a 200 mcg/mL
Detalhe técnico que muita gente ignora: use frasco de vidro e equipo livre de PVC. O PVC adsorve de 30% a 80% do princípio ativo, ou seja, você acha que está infundindo 20 mcg/min e o paciente está recebendo uma fração disso. Se a resposta clínica está estranhamente ruim, o material do equipo é a primeira coisa a checar.
Dose: comece com 5 mcg/min e aumente 5 mcg/min a cada 3 a 5 minutos até 20 mcg/min. Sem resposta, siga com incrementos de 10 a 20 mcg/min. A dose máxima habitual é de 400 mcg/min.
Com a solução a 200 mcg/mL:
- 5 mcg/min equivale a 1,5 mL/h
- 20 mcg/min equivale a 6 mL/h
- 100 mcg/min equivale a 30 mL/h
Início de ação em segundos quando endovenosa, meia-vida de eliminação em torno de 2 a 6 minutos. Mas atenção: diferente do nitroprussiato, a nitroglicerina gera dinitratos e mononitratos com atividade vasodilatadora residual. Desligar a bomba não desliga o efeito de forma tão limpa.
Taquifilaxia e contraindicações
A nitroglicerina desenvolve tolerância. Em infusão contínua, a resposta cai de forma clinicamente perceptível em 24 a 48 horas. Se o paciente estava respondendo bem e parou de responder, considere taquifilaxia antes de sair aumentando dose indefinidamente.
Contraindicações que você precisa perguntar antes de prescrever:
- Inibidores de fosfodiesterase-5 nas últimas 24 a 48 horas: sildenafila, tadalafila, vardenafila, avanafila. A combinação causa hipotensão grave e refratária. Pergunte. O paciente não vai contar espontaneamente.
- Estimuladores da guanilato ciclase, como o riociguat
- Hipersensibilidade a nitratos
Duas situações onde a venodilatação joga contra você:
- Infarto de ventrículo direito, que é pré-carga dependente. Derrubar retorno venoso ali derruba o débito.
- Estenose aórtica grave, pelo mesmo raciocínio de dependência de pré-carga.
Efeitos adversos comuns: cefaleia, que é praticamente marca registrada da droga, taquicardia reflexa e, mais raramente, metemoglobinemia.
Nitroprussiato e cérebro: pode usar no AVC hemorrágico?
Aqui entra a pergunta que trava muito plantonista.
Primeiro, relembre os três componentes do conteúdo intracraniano: parênquima encefálico, sangue e liquor. A caixa craniana é rígida, então o aumento de qualquer um desses compartimentos precisa ser compensado pelos outros. Quando a compensação acaba, a PIC dispara.
Vasodilatadores aumentam o volume sanguíneo cerebral e, portanto, podem elevar a PIC. Isso vale tanto para o nitroprussiato quanto para a nitroglicerina.
Então não se usa? Usa sim.
O nitroprussiato é, na prática da maioria dos serviços brasileiros, o único vasodilatador endovenoso potente disponível. Não ter a droga ideal não é motivo para deixar o paciente com 230 de sistólica e hematoma em expansão.
A conduta é usar com alvo pressórico individualizado. Nos estudos que balizaram o controle pressórico na hemorragia intracerebral aguda, entre eles o ATACH e o INTERACT, o alvo trabalhado ficou em torno de 140 mmHg de PAS.
Ou seja: pode usar, mas com alvo definido, redução controlada e monitorização neurológica seriada. Não é hora de dose resposta agressiva.
Escolhendo a droga por cenário
Síndrome coronariana aguda com hipertensão
Nitroglicerina. Controla dor anginosa e pressão ao mesmo tempo. Alvo habitual em torno de PAS 140 e PAD 90 mmHg. Evite nitroprussiato pelo roubo de fluxo coronariano.
Edema agudo de pulmão hipertensivo
Os dois funcionam. O nitroprussiato é escolha clássica pela potência e titulabilidade. A nitroglicerina ganha preferência quando existe componente isquêmico associado ou quando você quer atacar prioritariamente a congestão.
Pós-operatório de revascularização miocárdica com enxerto de mamária
Nitroglicerina, pela ação vasodilatadora seletiva sobre o conduto arterial e pela prevenção de espasmo do enxerto.
Encefalopatia hipertensiva
Nitroprussiato, com redução gradual e vigilância neurológica.
Dissecção aguda de aorta
Nitroprussiato, sempre depois de betabloqueador. A regra é controlar frequência cardíaca antes de baixar pressão. Vasodilatador isolado causa taquicardia reflexa e aumenta o dP/dt, ou seja, aumenta a força de cisalhamento sobre a íntima e propaga a dissecção.
AVC hemorrágico
Nitroprussiato, com alvo individualizado em torno de 140 mmHg de PAS.
Insuficiência renal ou hepática significativa
Reavalie o nitroprussiato. Se precisar usar, use pelo menor tempo e menor dose possíveis, e monitore acidose e lactato.
Resumo de bolso
| Nitroglicerina | Nitroprussiato de sódio | |
|---|---|---|
| Classe química | Nitrato orgânico | Complexo de cianeto com ferro |
| Mecanismo | Doador de NO, aumenta GMPc | Doador de NO, aumenta GMPc |
| Vasodilatação | Preferencialmente venosa, com seletividade por coronária epicárdica e mamária interna | Balanceada, arterial e venosa, sem seletividade |
| Fluxo em mamária interna | Aumenta cerca de 36% | Reduz cerca de 12% |
| Efeito hemodinâmico | Reduz pré-carga; pós-carga só em dose alta | Reduz pré-carga e pós-carga |
| Apresentação | 25 mg/5 mL ou 50 mg/10 mL | 50 mg/2 mL |
| Diluição usual | 50 mg + 240 mL SG 5% = 200 mcg/mL | 1 amp + 248 mL SG 5% = 200 mcg/mL |
| Dose | 5 mcg/min, titular até 400 mcg/min | 0,5 a 2 mcg/kg/min, dose resposta |
| Início de ação | Segundos | Segundos |
| Meia-vida | 2 a 6 min, com metabólitos ativos | Cerca de 2 min, sem efeito residual |
| Cuidado com material | Vidro e equipo sem PVC | Proteger da luz |
| Toxicidade principal | Taquifilaxia, cefaleia, metemoglobinemia | Cianeto e tiocianato |
| Indicação preferencial | SCA, angina, EAP com isquemia | Maioria das emergências hipertensivas |
| Evitar em | PDE5, IAM de VD, estenose aórtica grave | Isquemia miocárdica, IRA, hepatopatia |
Cinco erros que eu ainda vejo no plantão
1. Prescrever nitroprussiato para todo mundo com pressão alta. Emergência hipertensiva tem subtipos, e o subtipo define a droga. Isquemia miocárdica é a exceção mais frequente e a mais esquecida.
2. Não perguntar sobre inibidor de PDE5 antes da nitroglicerina. É uma pergunta de dez segundos que evita uma hipotensão refratária.
3. Diluir nitroglicerina em equipo de PVC e culpar a droga pela falta de resposta. O princípio ativo ficou no plástico.
4. Deixar a bolsa de nitroprussiato exposta à luz. Você está infundindo droga degradada e mais cianeto.
5. Manter nitroprussiato em dose alta por dias sem reavaliar. Acidose metabólica inexplicada em paciente com nitroprussiato correndo tem nome até prova em contrário.
Conclusão
Nitroglicerina e nitroprussiato não são intercambiáveis. Compartilham a via final do óxido nítrico, mas atuam em compartimentos vasculares diferentes e carregam toxicidades diferentes.
Na hora de decidir, faça duas perguntas:
Existe isquemia miocárdica? Se sim, nitroglicerina.
Eu preciso derrubar pós-carga de forma potente e titulável? Se sim, nitroprussiato, atento a rim, fígado, tempo de infusão e luz.
O resto é ajuste fino de alvo pressórico conforme o órgão-alvo acometido.
Continue evoluindo com a gente
Esse tipo de raciocínio, escolher a droga certa pelo mecanismo e não pelo hábito, é o que separa quem apenas cumpre plantão de quem realmente domina a beira do leito.
Na comunidade ArkaMed a gente discute exatamente isso: casos reais, decisões difíceis e a farmacologia aplicada que ninguém explica direito na graduação. É onde você troca figurinha com plantonistas que estão enfrentando os mesmos dilemas que você.
Transparência e fontes
Sobre a recomendação de evitar doses elevadas de nitroprussiato por mais de 36 horas: esse limite circula amplamente no ensino brasileiro de terapia intensiva como regra prática, mas não localizei uma fonte primária que estabeleça exatamente esse ponto de corte. O que a literatura sustenta com clareza é o mecanismo, ou seja, a depleção progressiva do tiossulfato disponível, com risco crescente em doses acima de 2 mcg/kg/min, em infusões prolongadas e em pacientes com disfunção renal ou hepática. Trate as 36 horas como um gatilho de reavaliação, não como um número validado.
Doses, diluições e alvos pressóricos devem sempre ser conferidos com o protocolo institucional do seu serviço.
Referências
- Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial 2020. Arq Bras Cardiol. 2021;116(3):516-658.
- Vilela-Martin JF, Yugar-Toledo JC, Rodrigues MC, et al. Posicionamento Luso-Brasileiro de Emergências Hipertensivas 2020. Arq Bras Cardiol. 2020;114(4):736-751.
- Yartsev A. Nitrate vasodilators and sodium nitroprusside. Deranged Physiology, CICM Primary Exam, Cardiovascular System, Chapter 954.
- Münzel T, Daiber A. Pharmacology of nitrovasodilators. 2017.
- Vesey CJ, Cole PV, Simpson PJ. Cyanide and thiocyanate concentrations following sodium nitroprusside infusion in man. Br J Anaesth. 1979.
- Vasodilator drug effects on internal mammary artery and saphenous vein grafts. J Am Coll Cardiol. 1988;11(6). PMID 3130416.
- Nitroglycerin is superior to diltiazem as a coronary bypass conduit vasodilator. J Thorac Cardiovasc Surg. 1999;117:906-911.
- Bula do Tridil (nitroglicerina solução injetável). Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos.
- Manual Farmacêutico do Hospital Israelita Albert Einstein, verbete Nitroglicerina.
- Guia Farmacêutico do Hospital São Camilo, verbete Nitroglicerina.
- Antihypertensive Treatment of Acute Cerebral Hemorrhage (ATACH) investigators. Antihypertensive treatment of acute cerebral hemorrhage. Crit Care Med. 2010 Feb.
- Anderson CS, Huang Y, Arima H, et al. Effects of early intensive blood pressure-lowering treatment on the growth of hematoma and perihematomal edema in acute intracerebral hemorrhage: INTERACT. Stroke. 2010;41(2):307-312.


